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Cenário de casamentos e grandes festas, Villa Riso terá investimento de R$ 500 mil em revitalização

Endereço de eventos requintados, a Villa Riso, em São Conrado, pertencente à família de mesmo nome e uma das mais tradicionais casas de festas da cidade, foi arrendada pela empresa de eventos Bluemoon Corp em meados do ano passado. A ideia era modernizar o espaço e levá-lo a figurar novamente entre os mais cobiçados do Rio. Era, não. É. A quarentena decorrente da pandemia de Covid-19 forçou a paralisação das atividades e representou um baque na agenda, mas os novos gestores continuam dispostos a investir. Até o fim do ano, prometem empregar mais R$ 500 mil na revitalização da propriedade, dobrando o investimento já feito até agora. Simultaneamente, sua equipe se empenha em preservar os negócios já fechados, sobretudo casamentos, e conquistar novos.

Tão logo começou o isolamento, foram remanejados 40 casamentos, muitos deles de supetão.

Foi tudo muito confuso. Chegamos a adiar casamentos que aconteceriam em três dias. O remanejamento foi insano. Algumas cerimônias que foram adiadas precisaram ser postergadas novamente, com o prolongamento da quarentena — conta Jota Neto, presidente da Bluemoon.

Estratégias para manter a clientela começaram a ser postas em prática de imediato. Os adiamentos — alguns para daqui a mais de um ano — foram feitos sem custo. Ainda assim, há 72 eventos marcados para o segundo semestre na Villa Riso. Sua realização vai depender do controle da pandemia do novo coronavírus.

Desde o início do isolamento dos que podem ficar em casa, apenas 12 novos contratos foram fechados. Dispostos a aumentar o número, os administradores têm apostado em serviços personalizados, propaganda boca a boca e flexibilidade nas negociações.

Um artifício é a oferta de benefícios para atrair quem teve seu evento cancelado pela empresa contratada sem possibilidade de remanejamento e, em muitos casos, ainda não recebeu de volta o que já tinha pagado.

Várias empresas disseram que não podem devolver o dinheiro agora. Permitimos que os clientes nesta situação nos pagassem apenas quando tiverem de volta o valor que investiram —garante o empresário.

O Salão Imperial, um dos mais reformados, já foi reformado Foto: Divulgação
O Salão Imperial, um dos mais reformados, já foi reformado Foto: Divulgação

A mais nova ação é o aplicativo Lista Azzul. Os inscritos na plataforma indicam a Villa Riso para pessoas ou empresas que estejam buscando um local para sediar seus eventos. Caso o contrato seja fechado, a indicação gera uma comissão de até 2% do valor da festa.

— A Lista Azzul foi criada para aquecer o mercado de casamentos, em que os maiores prejudicados são os pequenos fornecedores e os autônomos: maquiadores, cerimonialistas, fotógrafos e decoradores, entre outros. Qualquer um pode se cadastrar, mas criamos o aplicativo com foco nesses profissionais, porque eles convivem com possíveis clientes — explica Neto.

Atendimento virtual e tours guiados em 3D também vêm ajudando a viabilizar novos negócios ou a dar prosseguimento à organização de festas que já vinham sendo planejadas. Todos os processos são on-line, incluindo reuniões com os fornecedores.

A Villa Riso é famosa por suas festas desde a década de 1980, quando a pianista Cesarina Riso transformou a propriedade comprada em 1932 por seu pai, o comendador italiano Oswaldo Riso, em um dos mais famosos espaços de festas da cidade. Mas a vocação do local para sediar eventos vem de muito antes. No século XVIII, já era cenário de saraus, concertos e exposições.

Originalmente, a propriedade era uma fazenda destinada ao cultivo de cana-de-açúcar que se estendia até a Barra da Tijuca, e sua sede atraía personalidades como políticos, artistas, clérigos e paisagistas. Presença frequente, o imperador Pedro II plantava uma palmeira nos jardins a cada visita que fazia. A biblioteca, quase intacta, serviu de cenário para o ministro da Justiça Ferreira Vianna redigir a Lei Áurea, em 1888.

Local é tradicional cenário de casamentos no Rio Foto: Divulgação/Werneck Fotografia
Local é tradicional cenário de casamentos no Rio Foto: Divulgação/Werneck Fotografia

Um desafio, afirma Neto, é fazer a Villa Riso recuperar seu prestígio. As reformas são um passo importante. Toda a parte elétrica já foi trocada, os salões tiveram sua pintura e sua climatização renovadas e houve recuperação da pavimentação. Um deque de madeira foi construído no jardim, para sediar cerimônias com vista para a Pedra da Gávea. O paisagismo merecerá atenção à parte, já que o imóvel principal, com quase três mil metros quadrados, é cercado por mais de 16 mil metros quadrados de verde, incluindo as palmeiras de Dom Pedro II.

A aposta em serviços é outra frente. Um dos passos mais significativos foi a contratação do chef Ignácio Peixoto, formado pela Alain Ducasse Foundation, para comandar o bufê, de inspiração francesa. A próxima etapa, na gastronomia, será a compra de maquinário para equipar a cozinha.

A imagem da Villa Riso estava desgastada. O trabalho que temos feito sobre a marca é para criar um conceito moderno. Antigamente você alugava um salão vazio por R$ 40 mil, por exemplo. Até pouco tempo, a Villa Riso ainda fazia isso. Hoje, a realidade é outra. Modernizamos os pacotes, com valores mais acessíveis de locação. E investimos um valor alto em marketing e parcerias, para oferecer o serviço completo — conclui Neto.

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