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Ex-adversário de Bolsonaro, Garotinho recebe presidente em seu reduto no Rio com direito a ‘claque’

A cada um dos (quatro) anúncios do sobrenome “Garotinho” feitos pelo locutor que listava as autoridades na visita do presidente Jair Bolsonaro ao Porto do Açu, no Norte Fluminense, uma claque postada próxima ao palco combinava longos aplausos com gritos de “mito”. O tratamento, em geral dispensado ao próprio presidente por apoiadores, embalou a tentativa do ex-governador Anthony Garotinho, inelegível pela Lei da Ficha Limpa, de reconquistar espaço na política do Rio. Garotinho, que já apoiou Lula (PT) no passado, hoje ensaia aproximar-se de Bolsonaro — que, nos tempos de deputado, já acusou o ex-governador de “estímulo à vagabundagem”.

O antigo adversário do presidente ganhou lugar na primeira fila, próximo ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na cerimônia organizada para o lançamento da segunda usina termelétrica do Porto do Açu. Também se fizeram presentes sua esposa, a ex-governadora Rosinha Garotinho, e os filhos Wladimir, atual prefeito de Campos, e Clarissa, deputada federal que articulou a vinda de Bolsonaro ao Norte do estado, para anunciar também investimentos em estradas no reduto eleitoral da família. Em meio a demonstrações de apoio ao ex-governador, sobraram alguns apupos da claque dirigidos à prefeita de São João da Barra, Carla Machado (PP), ex-aliada que se afastou da família Garotinho.

Embora não tenha sido citado pelo presidente em seu discurso, Garotinho posou para fotos ao lado de Bolsonaro, a quem entregou uma “cesta de doces típicos”, e ganhou uma espécie de desagravo puxado por seu filho prefeito, que chamou o pai de “visionário” por ter iniciado o projeto da construção do Porto do Açu em 1999, em São João da Barra. O elogio foi endossado em seguida pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas:

Como nosso prefeito (Wladimir) contou, isso começou lá atrás, com o governador Garotinho. Hoje, temos um porto que já está movimentando 60 milhões de toneladas — disse Tarcísio.

Mesmo acumulando diferentes condenações, por condutas como formação de quadrilha, desvios na Saúde e compra de votos, que lhe impuseram inelegibilidade até 2029, Garotinho articula uma candidatura a deputado federal, possivelmente pelo União Brasil. A filha Clarissa avalia a que cargo concorrer. Apesar da aproximação com Bolsonaro, o ex-governador preferiu manter em aberto as alianças eleitorais após o encontro. O filho Wladimir, por exemplo, tem boa relação com dirigentes locais do PT.

“Como já disse, o presidente apoia Cláudio Castro. Lula apoia Freixo. Por enquanto não estou apoiando ninguém. A visita do presidente é para falar de investimento, não de política”, escreveu Garotinho em suas redes, na legenda da foto com Bolsonaro.

No passado, Bolsonaro foi um crítico das gestões de Garotinho e de sua mulher, Rosinha, no governo estadual. O então deputado federal utilizava a tribuna da Câmara para atacar Garotinho, que, depois de ser governador, também foi secretário de Segurança de sua esposa.

Em 2000, Bolsonaro criticou a atuação de Garotinho no caso conhecido como sequestro do ônibus 174. Ele afirmou que o governador agiu “covardemente”, “como pivete”, ao não permitir a execução do sequestrador, Sandro do Nascimento. Já em 2003, quando Garotinho era secretário, Bolsonaro criticou a oferta de recompensa para quem denunciasse suspeitos de um homicídio no bairro do Catumbi:

Lamento o fato, pois isso é um estímulo à vagabundagem e à marginalidade.

Em 2002, quando deixou o governo do Rio para se candidatar à Presidência pelo PSB, Garotinho manifestou apoio a Lula no 2º turno. Nas eleições seguintes, porém, em meio à aliança do PT com o MDB, de seu desafeto Sérgio Cabral, Garotinho fez campanha para adversários petistas ou ficou neutro no pleito presidencial.

Uma possível aliança da família Garotinho com Bolsonaro passa ainda pelo nó na base do governador Cláudio Castro (PL), aliado do presidente. O secretário de Governo de Castro, Rodrigo Bacellar, é adversário dos Garotinho em Campos.

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