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Paes e Crivella trocam acusações no primeiro debate na TV do segundo turno

No primeiro debate do segundo turno da eleição do Rio, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) e o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), trocaram ataques ligados a aspectos de suas respectivas gestões e também citaram investigações por corrupção envolvendo cada um. Paes e Crivella chamaram um ao outro de “pai” e “madrinha” da mentira, respectivamente, e elegeram a área da Saúde como principal foco de críticas mútuas. O atual ocupante do cargo defendeu que tem “experiência” para lidar com a segunda onda da Covid-19, enquanto o antecessor argumentou que Crivella comete equívocos ao tratar os números da pandemia e que reduziu investimentos na atenção básica.

Paes se referiu a Crivella como “pai da mentira” já no primeiro bloco, ao rebater a acusação do adversário de que teria deixado a prefeitura financeiramente quebrada no fim da gestão, em 2016. No segundo bloco, Crivella disse que o ex-prefeito exagerava ao dizer que o Rio teve o dobro da letalidade de São Paulo por Covid-19 e chamou o adversário de “madrinha da mentira”. Na quarta-feira, Crivella usou um termo homofóbico ao xingar o governador de São Paulo, João Doria, num encontro de apoiadores. Crivella não repetiu o termo na sequência do debate.

No começo do terceiro bloco, ao receber um direito de resposta, Paes ironizou a fala de Crivella em que disse que a Cidade das Artes “floresceu” em seu governo. Em março, o local foi alvo de buscas do Ministério Público do Rio, numa investigação sobre suposto “QG da Propina” na prefeitura. O lugar é sede da Riotur, então presidida por Marcelo Alves, irmão de Rafael Alves, apontado pelo MP como operador do esquema, e que tinha uma sala no local.

  Você disse que a Cidade das Artes floresceu no seu governo, é porque lá que funcionava o QG da Propina — afirmou Paes.

O ex-prefeito já havia citado no primeiro bloco a investigação do QG da Propina contra Crivella, quando afirmou que o adversário “vai terminar igual o Witzel, lamentavelmente” — referindo-se ao governador afastado Wilson Witzel, investigado por desvios na área da Saúde. Paes também questionou Crivella sobre seu telefonema a Rafael Alves durante uma operação de busca e apreensão. Na resposta, Crivella argumentou que Alves “não foi preso”, chamou a investigação do MP de “fofoca” e lembrou apurações contra o adversário. Paes se tornou réu na Justiça Eleitoral, em setembro, sob acusação de receber R$ 10 milhões em caixa dois da Odebrecht em 2012. Um executivo da Carioca Engenharia afirmou que Paes sugeriu a ele que a empresa desistisse da licitação do BRT Transbrasil, em 2014, vencida pela Odebrecht. Paes nega.

  Contra você tem nome de doleiro, de transportadora, conta na Suíça. A verdade é que contra o Eduardo há provas concretas disse Crivella.

O prefeito também afirmou no debate que o Rio teve 10,8 mil mortes na pandemia, contra 21 mil óbitos na capital paulista, números que, em seus cálculos, reproduzem uma taxa de letalidade similar, comparada à população de cada município. O painel de dados sobre Covid-19 da prefeitura do Rio, contudo, aponta, 12,8 mil óbitos acumulados na cidade. Já o boletim epidemiológico divulgado ontem pela prefeitura de São Paulo aponta 14,1 mil mortes.

Em sua resposta a Crivella, Paes ironizou o prefeito e fez uma comparação com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) por estar “confundindo números”. Por meio de aliados, Paes tem procurado manter relação amistosa com o presidente Jair Bolsonaro, a quem Crivella buscou associar sua imagem nesta eleição — apesar de não tê-lo citado no debate. Crivella viajou a Brasília na manhã de ontem, mas ouviu uma negativa de Bolsonaro a seu convite para participar de um ato de campanha no segundo turno.

Discussão sobre IPTU

Os candidatos também trocaram ataques relacionados a uma eventual redução do IPTU, projeto enviado por Crivella à Câmara dos Vereadores durante a corrida eleitoral. O atual prefeito alegou que o presidente da Câmara, Jorge Felippe (DEM), não colocou o projeto para votação por pressão de Paes. O ex-prefeito, por sua vez, lembrou que a gestão Crivella aprovou um aumento do IPTU em 2018.

Na reta final do debate, Crivella disse que Paes “não gosta de mulher”, lembrando comentários machistas feitos pelo ex-prefeito na entrega de moradias populares, em 2016, e também por ter lançado como candidato à sucessão o deputado Pedro Paulo, que chegou a ser acusado de agressão à ex-mulher. O inquérito foi arquivado.

  Você faz acusações levianas contra uma pessoa que foi inocentada e, provavelmente, vai ser processado por essa acusação rebateu Paes.

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