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Brasil

Pelé, o Rei do Futebol, morre aos 82 anos

Um dia doloroso para todos os amantes do futebol no planeta Terra. O esporte perdeu seu rei. Aos 82 anos, vítima de um câncer no cólon, morreu nesta quinta-feira, dia 29 de dezembro, Pelé, o Atleta do Século. O ex-jogador lutava contra a doença desde 2021 e foi submetido à cirurgia, mas teve, no início deste ano, diagnosticadas metástases no intestino, no pulmão e no fígado, que complicaram seu quadro de saúde. Ele estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, desde o dia 29 de novembro para reavaliar o tratamento quimioterápico e tratar uma infecção respiratória.

Edson Arantes do Nascimento escreveu seu nome na história e virou ídolo nacional. A habilidade com a bola nos pés ganhou o planeta. O melhor jogador de todos os tempos tem o status de imortal, mesmo após o fim da sua vida.

Pelé nasceu em Três Corações, em Minas Gerais. Ainda pequeno, foi para Bauru, interior paulista. De lá, rumou para Santos. E logo conquistou o mundo. Os gols, dribles e jogadas viraram marca registrada de um atleta único, que se transformou na representação do futebol-arte, do futebol brasileiro. Em campo, ganhou o status de gênio, imortal, de rei. De Rei do Futebol. De Atleta do Século. Um astro que nasceu para elevar o esporte brasileiro. Curiosamente, fez um drama nacional (a perda da Copa do Mundo de 1950) virar uma promessa. E não deu felicidade apenas ao pai, mas a todo um país.

A promessa ao pai

Ainda criança, com nove anos, Pelé tentou confortar o pai, João Ramos do Nascimento (Dondinho), que chorava com a derrota da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1950. Naquele dia, fez a promessa de que ganharia um Mundial para o pai. Oito anos depois, cumpriu o que havia prometido e brilhou na conquista da Copa de 58. Ali, Pelé começou a escrever seu nome na história do futebol.

A ligação de Pelé com o futebol começou antes da promessa em 1950. A inspiração sempre foi o pai, que também foi jogador de futebol. Ainda criança, o pequeno Edson (cujo apelido era Dico) se empolgava no gol e gritava Bilé (goleiro do Vasco) a cada defesa que fazia. Na época, morava em Bauru, interior paulista. Os amigos passaram a chamá-lo de Pelé. Nascia um dos “nomes” mais conhecidos do mundo.

Com a bola nos pés, Pelé começou a fazer sucesso em Bauru. Aos 11 anos, foi descoberto por Waldemar de Brito, que o levou ao Clube Atlético de Bauru, e, posteriormente, ao Santos. Em 1956, então com 16 anos, iniciava uma trajetória de glória no Peixe. A primeira vez com a seleção brasileira aconteceu um ano depois, no título da Copa Roca. Em 1958, Pelé cumpriu a promessa que fez ao pai e conquistou a Copa do Mundo.

No Santos, ao lado de Coutinho, Zito, Pepe & Cia., Pelé colecionava títulos e feitos. Ele liderou conquistas estaduais, nacionais e internacionais, como duas Libertadores e dois mundiais. O craque estava no topo do mundo. E faturou a Copa de 1962.

Multicampeão por Santos e Seleção, Pelé sentiu o gosto da decepção na Copa do Mundo de 1966. O craque se machucou na segunda partida do torneio e viu o Brasil ser eliminado na primeira fase. O trauma foi tanto que ele pensou em parar de jogar. A redenção aconteceu em 1970, ao lado de Carlos Alberto Torres, Gerson, Rivelino, Tostão e Jairzinho. Pelé conquistou o mundo pela terceira vez.

Mil gols

Artilheiro nato, Pelé causou alvoroço ao se aproximar da marca de mil gols na carreira. O feito aconteceu num palco especial: o Maracanã, estádio em que foi bicampeão mundial com o Santos. No dia 19 de novembro de 1969, o craque superou o goleiro Andrada, do Vasco, e, de pênalti, marcou o milésimo gol. No discurso de comemoração, o Rei do Futebol fez um apelo: “Vamos proteger as criancinhas necessitadas”. A frase ficou imortalizada.

Trajetória na Seleção

Antes de Pelé, o Brasil não tinha títulos de Copa do Mundo e não estava entre as seleções mais respeitadas naquela época. Aos 17 anos, o jovem menino chegou à Suécia como aposta, ganhou a titularidade e carregou a Seleção ao seu primeiro título mundial, em 1958, com direito a uma atuação de gala na grande final. O camisa 10 marcou dois gols na goleada sobre os donos da casa por 5 a 2, sendo o jogador mais jovem a balançar as redes em final de Copa. A partir daí, Brasil e Pelé passaram a ser sinônimo de futebol bem jogado.

Em seguida, com a presença de outros grandes jogadores, Pelé e cia conquistaram mais duas Copas (1962 e 1970), ultrapassando naquela época o Uruguai em número de títulos. Com a taça levantada no México, o Brasil ficou com a posse definitiva da Taça Jules Rimet. Único tricampeão mundial como jogador, o Rei também lidera a lista de artilheiros da seleção brasileira, com 95 gols em 115 partidas.

Tantas conquistas e a soberania no esporte fizeram com que Pelé fosse reconhecido como o maior jogador de todos os tempos. No entanto, a soberania do super atleta transcendeu o futebol. O Comitê Olímpico Internacional também o elegeu como atleta do século, mesmo ele nunca tendo atuado em uma partida dos Jogos Olímpicos.

Polêmicas e Vida Pessoal

Acostumado a driblar seus adversários dentro de campo, Pelé não conseguiu evitar as polêmicas fora dele. Ao longo de sua carreira, o melhor jogador da história lidou com alguns momentos turbulentos. Como foi o caso do seu relacionamento com a apresentadora Xuxa.

Ela conta que Pelé desistiu do namoro entre eles após descobrir que ela era virgem: “Ele disse que não queria ter a responsabilidade de ser meu primeiro homem”, disse ela em seu livro Memórias. No entanto, tempos depois e com a tal questão resolvida, o namoro foi reatado e durou cerca de seis anos.

Ainda segundo Xuxa, partiu dela a decisão de terminar o relacionamento após descobrir diversas traição do então atleta: “Ele me falava: ‘O Pelé precisa sair hoje’. E nessas eu era traída loucamente. Já aconteceu de, em festas, eu ver que ele estava com marcas de batom na boca que não era o meu. Para ele, aquilo era normal: ‘As mulheres querem ficar com o Pelé’, diz ela abertamente em sua bibliografia.

O Rei do Futebol também se envolveu em polêmicas com o ex-jogador Diego Maradona. O ídolo argentino estimulava uma rivalidade com Pelé e afirmava ter sido o melhor jogador de todos os tempos. O Pibe costumava utilizar um tom pejorativo e chamar o Rei do Futebol de “El Negro”. Tal declaração, rendeu críticas a Maradona, que foi acusado de racismo.

Em 2010, quando era técnico da seleção da argentina, Maradona disse que o brasileiro deveria voltar ao museu: “Eu já ganhei dele a preferência das pessoas. Ele que volte ao museu. Como não trabalha, não faz nada, então insiste em falar de mim. Quer uma briga. Ele nem pode entrar na concentração do Brasil”.

As declarações foram feitas após Pelé afirmar que o argentino não seria um bom treinador. Para o Rei do Futebol, Maradona não era um bom exemplo para os argentinos devido os seus problemas dentro e fora de campo com substâncias proibidas.

Apesar da “guerra” entre os dois, tudo parece ter sido resolvido e a dupla prometeu acabar com as brigas e deixar a rivalidade de décadas. Recentemente, quando Pelé se submeteu a um procedimento cirúrgico, Maradona postou uma foto desejando força ao brasileiro é o chamando de “Rei”.

“Gostaria de agradecer ao Pelé por estar aqui conosco. Gostamos muito dele e sabemos quem foi e quem sempre ele será. Pelé é bem-vindo à nossa família. Sem mais brigas, te prometo”, disse o argentino durante um evento em 2016.

Outra polêmica que Pelé se envolveu no futebol foi em relação a Romário. Após ter sido aconselhado pelo Rei do Futebol a encerrar a sua carreira, o ex-atacante campeão do mundo com a seleção brasileira criticou Pelé e afirmou que o tricampeão do mundo “calado era um poeta”.

O Rei também se aventurou na política. En 1995, foi ministro do Esporte (ficou no cargo até 1998). A Lei Pelé (mudança na legislação sobre vínculo de jogador com clube) é criticada até hoje.

Pelé teve sete filhos. Um deles, Edinho, defendeu o Santos. Curiosamente, foi goleiro. Atualmente, Edinho vive um drama: foi condenado a 33 anos de prisão por lavagem de dinheiro e associação com o tráfico de drogas e agora recorre da sentença.

Outra polêmica de Pelé foi quanto a uma filha fruto de uma relação extraconjugal. Ele foi obrigado judicialmente, depois de uma longa batalha, a reconhecer Sandra Regina Machado como filha. Ela faleceu em 2006, vítima de câncer.

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