Rio de Janeiro

Rio registra pior momento da pandemia desde o ano passado, diz boletim da prefeitura

O Rio registrou na última semana seu pior momento desde o início da pandemia. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, atualmente são 663 pessoas internadas em leitos de CTI. Ainda de acordo com Soranz, a mortalidade nas UTIs chega a 40%.

Cada pessoa que parar nesses dez dias, menor é a chance de internar e se agravar. Quando a gente pede é para não ter mais gente em UTIs. Mas há limites. Mesmo abrindo novos leitos na cidade e finalmente a rede federal abrindo seus leitos, não queremos ultrapassar esse teto — disse nesta sexta-feira o prefeito Eduardo Paes durante a apresentação do último boletim epidemiológio da doença realizado pela secretaria de Sáude.

De acordo com o subsecretário de Vigilância Epidemiológica, Márcio Garcia, há um crescimento de casos das novas cepas da doença na cidade. Em uma semana, segundo Garcia, triplicou o número nos diagnósticos laboratoriais por Covid-19 entre moradores, a maior parte da variante P1.

Com base nas amostras, esse número cresceu muito, sendo que 83% de casos são da P1, a variante amazônica. Nós temos registrado essa tendência desde o início do mês, o que ajuda a explicar a ocupação da rede hospitalar – disse Soranz.

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Sem revelar o número de kits de entubação que o Rio possui em estoque, Soranz lembrou que essa é uma preocupação nacional, tanto para a rede pública quanto para a privada.

-Isso consome muitos medicamentos, incluindo de entubação. O ministério da Saúde centralizou as compras e há um diálogo com eles. É importante para ninguém fazer estoques – afirmou.

Paes, que anunciou ainda que pretende vacinar pessoas de até 60 anos até o fim de abril, voltou a afirmar que o recesso de 10 dias até 4 de abril não é festa, e reforçou o pedido para que as pessoas fiquem em casa.

O conceito de lockdown ainda não está sendo aplicado. O que pedimos é para que quem tiver condições fique em casa se não for de grupo essencial. Já abrimos 350 leitos desde janeiro, mas não vamos esperar a bomba explodir. Pensem que cada ponto de gráfico que apresentamos é um ente querido que se vai — acrescentou Paes.

As restrições anunciadas pela prefeitura e o governo contra o Covid-19 entraram em vigor nesta sexta. A prefeitura montou três barreiras sanitárias (uma na Linha Amarela, na altura da saída 4, sentido Barra da Tijuca; uma segunda no Trevo das Missões, e outra na Avenida das Américas, na Grota Funda, no sentindo Barra da Tijuca) para evitar que ônibus ou vans, que não são de linhas convencionais, entrem na cidade durante o período do recesso.

Os dez dias de combate à Covid-19, que começam hoje e vão até 4 de abril, Domingo de Páscoa, terão duas frentes importantes. Uma delas é um grande esforço para esvaziar as ruas do Rio no período, que embora tenha sido chamado de feriadão, é na verdade um recesso forçado para combater o avanço do coronavírus. A outra é uma tentativa de reduzir a fila para UTIs no estado que na quinta-feira superou a marca de 600 pacientes — a maior desde o início da pandemia —, não só diminuindo a circulação de pessoas, mas também abrindo novos leitos hospitalares.

Nesta quinta-feira, o governador em exercício Cláudio Castro anunciou ter fechado um acordo com o Ministério da Saúde que permitirá a regulação pelo estado de leitos federais, com o apoio da Rede D’Or. Com isso, Castro prometeu já na semana que vem mais vagas para o tratamento de pessoas infectadas, inclusive de terapia intensiva. Nas contas do estado, será possível oferecer mais 560 leitos federais, parte deles do Hospital da Lagoa, além de 200 estaduais e 180 privados (contratados de hospitais particulares).

O decreto de Castro sobre o recesso prevê o fechamento das praias no Estado do Rio, a exemplo do que já determinou o prefeito Eduardo Paes na capital. Num primeiro momento, a restrição seria total, mas o estado mudou para unificar as regras, já que o município do Rio decidiu autorizar as atividades físicas individuais, o que passou a valer. No entanto, no geral, as regras do estado são menos restritivas do que as da capital porque, entre outras coisas, não fecham bares e restaurantes.

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