Skip to main content
Brasil

Rodrigo Maia define ida ao MDB, mas ‘questão jurídica’ ainda impede filiação

O ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) decidiu que vai se filiar ao MDB, mas uma discussão jurídica ainda trava a oficialização. Para preservar o mandato parlamentar, Maia precisa do aval do DEM antes que a mudança seja concretizada. Caso a atual sigla não abra o caminho para troca, o deputado avalia entrar com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para sair do DEM por “justa causa”, o que permitiria a mudança de legenda sem a perda da cadeira na Câmara.

No domingo, à revista “Veja”, o ex-presidente da Câmara disse que a ida ao MDB já estava sacramentada – ele chegou a conversar com outros partidos, como PSL e Cidadania. Nesta segunda, no entanto, Maia foi mais comedido. O presidente do MDB, Baleia Rossi, disse que o entrave é apenas jurídico.

Ele (Maia) será muito bem-vindo ao partido (MDB). Já fizemos o convite. Agora é aguardar a questão jurídica da possibilidade de sair do DEM — disse Rossi ao GLOBO.

Maia, nesta segunda, mudou o tom e evitou tratar o assunto como finalizado enquanto a barreira não for superada.

Não vou tratar disso. Ainda preciso decidir  disse o ex-presidente da Câmara.

Maia ainda precisa conversar com lideranças do MDB no Rio para avaliar o espaço que ocuparia na legenda. Rossi, porém, diz que já há um alinhamento.

Já avançamos bastante com as lideranças do Rio. Vamos marcar conversas presenciais quando sair da fase vermelha (do controle da pandemia). Mas todos ficaram felizes com a possibilidade da filiação. O Rodrigo Maia é um grande quadro da política nacional.

Segundo o presidente do diretório estadual do MDB no Rio, o ex-deputado Leonardo Picciani, haverá uma reunião em Brasília na próxima semana com para tratar do assunto. A princípio, segundo Picciani, não serão tratadas por ora filiações de outros nomes do grupo político de Maia, como seu pai, o vereador Cesar Maia (DEM), e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM), que já foram filiados ao antigo PMDB. Cesar, no entanto, já afirmou ser “óbvio” que vai acompanhar o filho na legenda para onde ele seguir depois de deixar o DEM. Sobre Paes, não há necessidade de mudança já neste momento, já que o prefeito não disputará eleições em 2022.

Acredito que ele virá com outras pessoas, mas isso será tratado em outro momento. Rodrigo (Maia) é uma grande liderança, nossa relação com ele é muito boa  disse Picciani.

Antes do racha de Maia com o DEM, o então presidente da Câmara buscava articular uma candidatura apoiada pelo partido ao governo do estado em 2022. O MDB, por sua vez, cogita o nome do prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, para uma chapa majoritária – ao Palácio Guanabara ou para o Senado. A preferência de Reis é pela disputa por uma vaga no Senado.

Apesar da boa relação com Maia, Reis apoiou Arthur Lira (PP-AL) na disputa pela presidência da Câmara, em fevereiro  o prefeito de Caxias é aliado do presidente Jair Bolsonaro.

Reis viajou a Brasília nesta segunda-feira para reuniões previstas com ministros do governo federal, incluindo Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura), pasta que tem obras em andamento no município. O prefeito de Caxias deve aproveitar a viagem para conversar com Maia, nesta terça, sobre a filiação ao MDB e os planos para 2022.

A costura envolvendo a disputa ao governo do Rio passa também por Cláudio Castro, governador em exercício, que deve deixar o PSC antes da próxima eleição. Cogitado em partidos como PP e PSD, que formam a base do governo Bolsonaro no Congresso, Castro também mantém relação com o MDB fluminense, que não descarta apoiá-lo numa reeleição em 2022 – acordo que poderia envolver uma chapa com Washington Reis concorrendo ao Senado.

Print Friendly, PDF & Email

Leave a Reply