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Russos e ucranianos travam batalha por Kiev, e até centro da capital registra bombardeios

Combates vigorosos em algumas áreas da capital da Ucrânia, Kiev, foram registrados desde a madrugada de sábado, no segundo dia da ofensiva contra a capital e terceiro dia da grande invasão da Rússia ao país vizinho. Autoridades ucranianas afirmaram que as forças defensoras vêm conseguindo resistir ao avanço russo e que um plano para capturar o presidente foi debelado.

Tiros puderam ser ouvidos em várias partes de Kiev e cenas de destruição causada por bombardeios  são vistas até no centro da cidade,  mas é difícil saber as condições dos tiroteios. A Inteligência britânica afirma que o grosso das tropas russas está a 30 quilômetros do centro. Até agora, a ofensiva russa na Ucrânia utiliza ataques pontuais, sobretudo com armas de maior precisão e equipes táticas para dominar alvos estratégicos. O Ministério da Defesa da Ucrânia disse que “paraquedistas têm começado a ser mais ativos”, o que possivelmente explica os tiroteios, com soldados destacados em operações táticas.

À tarde em Kiev (manhã no Brasil), o presidente Volodymyr Zelensky publicou uma mensagem — como tem feito com frequência — gravada na frente da Residência oficial dizendo estar bem, exaltando a resistência ucraniana e afirmando que a capital permanece sob o controle do Exército ucraniano:

— Nós nos mantivemo firmes e repelimos com sucesso os ataques dos inimigos. Os combates continuam em muitas cidades e regiões do país, mas é o nosso Exército que controla Kiev e as principais cidades ao redor da capital — disse Zelensky em vídeo publicado no Facebook.

Zelensky afirmou que a Rússia não conseguiu sucesso em um plano para capturá-lo, descrevendo-se como “o alvo número 1”.

Os ocupantes queriam bloquear o centro do nosso Estado e colocar marionetes no seu lugar, como em Donetsk [região separatista ao Leste]. Conseguimos desmantelar o plano deles.

Desde a madrugada, os tiroteios e explosões que começaram na véspera se intensificaram. Desta vez, puderam ser ouvidos por toda a cidade, inclusive em seu coração, a Praça Maidan.  Vídeos mostram destroços nas partes Leste, Oeste e  Sul de Kiev.

Segundo vários jornais americanos, o governo  dos EUA também ofereceu ajuda para retirar Zelensky de Kiev, mas por enquanto ele rejeitou a oferta. De acordo com uma autoridade americana citada pela Associated Press, após receber uma oferta americana, Zelensky respondeu com confiança:

A luta é aqui. Eu preciso de munição, não de uma carona.

Aviões abatidos

Autoridades americanas e ucranianas informam que dois aviões russos de transporte militar Ilyushin Il-76 foram derrubados, mas ainda não ofereceram imagens confirmando os abatimentos, o que reduz sua plausibilidade. O primeiro teria sido perto de Bila Tserva, a 85 quilômetros ao sul de Kiev. O segundo teria sido abatido perto de Vasylkiv, a 40 quilômetros ao sul. Essas aeronaves podem transportar equipamentos ou soldados, cada uma com capacidade para 125 paraquedistas. Ainda não há informações sobre vítimas nem sobreviventes. A Rússia não se manifestou sobre os episódios.

É impossível ter certeza do número de vítimas da guerra. Em um discurso na televisão, um conselheiro do governo ucraniano, Mykhailo Podolyak, afirmou que a Ucrânia matou mais de 3.500 russos e capturou cerca de 200 desde o início do conflito. Oleksiy Arestovych, outro conselheiro de Zelensky, disse que as forças russas perderam cerca de 14 aeronaves, incluindo os dois aviões de transportes, oito helicópteros, 102 tanques e 536 veículos blindados. Esses relatos não podem ser confirmados de forma independente. O Ministério da Saúde da Ucrânia fala em 198 civis mortos em seu lado até agora, incluindo três crianças.

Um prédio residencial perto do aeroporto de Julyany foi atingido por um míssil. Ainda não há informações sobre vítimas, mas moradores foram retirados do edifício enquanto bombeiros tentavam apagar as chamas.

Prédio atingido por míssel em Kiev, na Ucrânia Foto: GLEB GARANICH / REUTERS
Prédio atingido por míssel em Kiev, na Ucrânia Foto: GLEB GARANICH / REUTERS

O Exército da Ucrânia afirmou que os russos “atacaram uma das unidades militares na Avenida Vitória. O ataque foi repelido”. Não houve comentários dos militares russos. O comando da Força Aérea ucraniana relatou intensos combates perto da base aérea de Vasylkiv, no Sudoeste da capital, que disse estar sob ataque de paraquedistas russos.

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Segundo  a Reuters, um prójetil atingiu uma área perto do aeroporto, danificando uma base militar. Uma testemunha também confirmou que tiros foram registrados perto de prédios governamentais no centro da cidade no amanhecer. Forças russas tentaram dominar  a usina hidrelétrica de Kiev, mas há relatos divergentes sobre quem controla a instalação.

A prefeitura anunciou a extensão do toque de recolher, que agora será de 17h às 8h. Anteriormente, a medida era válida de 22h às 7h. Segundo uma mensagem,”todos os civis que estiverem nas ruas durante o toque de recolher serão considerados membros de grupos inimigos de reconhecimento e sabotagem”. O metrô de Kiev também deixou de funcionar, e suas estações serão usadas como abrigos para a populaão, informaram as autoridades.

Em meio à destruição e diante da possível confirmação de civis feridos ou mortos, o Ministério da Defesa da Rússia disse em comunicado que lançou ataques com mísseis de cruzeiro durante a noite contra alvos na Ucrânia, mas alegou “visar exclusivamente a infraestrutura militar”.

Resistência em todo o país

Além de Kiev, há diversas outras frentes de batalha no país.  As forças russas anunciaram a tomada da cidade de Melitopol, no Sudeste da Ucrânia, informou a agência de notícias Interfax. Testemunhas confirmaram a entrada das tropas de Moscou, e uma bandeira da Rússia foi hasteada no prédio do governo.

As autoridades ucranianas ainda não confirmaram a informação. Melitopol tem cerca de 150 mil habitantes e, se sua queda for confirmada, será  uma das maiores cidades já tomadas desde a invasão. Kherson, no Sul, foi ocupada na véspera, mas forças ucranianas contra-atacaram neste sábado, e jornalistas ucranianos relatam que ela está de novo sob controle do Exército de Kiev.

A maioria dos avanços russos se concentra no Sul. Odessa, a terceira maior cidade ucraniana e a maior da região, também registrou ataques, mas ainda não começou uma grande ofensiva na área. Cidades no no Nordeste, como Sumy e Poltava, registraram confrontos ao longo deste sábado. Há poucas informações sobre Kharkiv, a segunda maior cidade ucraniana, a apenas 65 quilômetros da fronteira com a Rússia.

Em uma mensagem, o porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Konashenkov, disse que “unidades russas estavam em marcha e entraram em Melitopol, sem encontrar resistência”, acrescentando que a população “recebeu as tropas com bandeiras vermelhas”. A informação não foi confirmada.

Por sua vez, a Holanda anunciou o envio de 200 sistemas de defesa aérea Stinger como ajuda militar à Ucrânia, enquanto a Eslováquia vai mandar munição de artilharia e combustíveis no valor de 11 milhões de euros.

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Prédio atingido por míssel em Kiev, na Ucrânia Foto: GENYA SAVILOV / AFP
Prédio atingido por míssel em Kiev, na Ucrânia Foto: GENYA SAVILOV / AFP

Negociações

Apesar da intensificação dos combates em Kiev e emoutras partes da Ucrânia, os governos russo e ucraniano sinalizaram uma abertura às negociações. Segundo afirmou, nessa sexta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a Rússia estaria pronta para enviar uma delegação a Minsk, capital da Bielorrússia, para dialogar com a Ucrânia.

A Rússia, no entanto, impõe a desmilitarização da Ucrânia como condição para aceitar suspender a ofensiva, e isso equivale a uma rendição por parte de Kiev.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, descreveu a proposta russa como uma “diplomacia realizada sob a mira de armas, quando bombas, morteiros e artilharia de Moscou atingem civis ucranianos”.

A Rússia exige que a Ucrânia abandone sua ambição de aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e pede que a aliança militar liderada pelos EUA reduza a sua presença no Leste Europeu. Mas ontem a Otan anunciou que ativará seus planos de defesa para reforçar seu flanco oriental na Europa.

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